Raios. Sempre pensei que noites passadas em quartos de hotel a jogar computador ou a ler me deixavam bastante animada. Mas verdade seja dita desta feita a coisa está a modos que um bocado deprimente.
Acho que é do quarto. Será? Ou se calhar sou eu. Volta e meio fico um bocado deprimida. E deprimente.
Se calhar devia ir ao ginásio mais do que uma vez por mês. Ouvi dizer q faz bem ao cérebro. Mais que nao seja porque durante os 15 minutos de bicicleta o meu cérebro não tem oxigénio p pensar. POrra! ´Tou mesmo farta do meu cérebro. Até durante os 15 minutos de paralesia cerebral o cabrão faz contas.
Devia aprender a meditar. Ouvi dizer que faz bem ao cérebro.
Nas vezes que experimentei, nunca cheguei a perceber se o estava a fazer bem. Não se consegue parar o pensamento, raios o partam! Talvez o Buda consiga. Eu não.
"Pensar em nada, pensar em nada"
"Tou a pensar que não tou a pensar em nada"
" Irra, tou a pensar que tou a pensar que não tou a pensar em nada".
"Tenho fome/ apetecia-me um cigarro / olha, que engraçado, não sinto o braço esquerdo"
" Irra!!! Tou a pensar outra vez!!"
Ao menos na bicicleta só penso que tou a sofrer.
Enfim. Falar de quê? Falar mal de mim? Ouvi dizer que faz mal falar mal de nós próprios. Á auto estima e isso. Mas também pode ser um bom passatempo. E não é BEM falar mal. É constatar coisas.
Eu até gosto da minha vida, engana-se quem acha o contrário. Mas também gosto de me queixar dela. Deve ser a minha costela de coitadinha. O meu Fado.
Ás vezes gostava que o meu cérebro fosse mais ordenado. Tenho impressão que a rede neuronal cá dentro às vezes tenta tocar muitos instrumentos ao mesmo tempo. E depois saltam muitas notas em falso. As ideias vêm-se e vão-se como fogos fátuos que deixam apenas uma insinuação do que foram. Ou do que poderiam ser. Ás vezes não as consigo agarrar. Outras vezes, escrevo-as, e dou-lhes corpo. E depois perdem a graça toda. É mesmo estranho... Parece que as coisas só vivem em todo o seu esplendor se estiverem distantes e imaterializadas. A partir do momento em que põem um pezinho na realidade (seja por palavras ou por acções) PUF! transformam-se em sapos.
Enfim. Às vezes acho que sou um bocado ingénua. Ou então, sou paranoíde. Merda p isto, ou ingénua ou paranoíde. Não há meio de arranjar um meio termo. Acho que por medo de ser ingénua me torno paranoide; e por medo de ser paranoide me torno ingénua. Tal não é a minha sina! Estúpido cérebro de extremos.
Bom, ja me sinto melhor, obrigada. Vou ali fazer qualquer coisa.
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