quarta-feira, 12 de junho de 2013

Quem me dera estar de férias

Quem me dera estar de férias. Aliás, quem me dera IR de férias. Poucas coisas me dão mais prazer do que IR de férias. Talvez, PLANEAR férias suplante o prazer de ir de FÉRIAS. Talvez apenas PLANEAR planear férias. Esse prazer dura, normalmente, uns seis segundos. É o tempo de pegar na caneta e escrever numa folhinha imaculada PLANO DE FÉRIAS. Depois a palavra "Lisboa" e uma setinha à frente. Já na minha mente se desenha uma excitante linha sinuosa europa fora. De carro ou comboio. O plano começa com simplicidade. Com a palavra Lisboa e a setinha à frente. Depois tenho que passar pela seca que é a Espanha. Aí, já me começo a aborrecer. Quem me dera apagar a Espanha. Que farta da Espanha que estou. Estando a Espanha resolvida com uma tirada de carro ou comboio, aparece-me a França à frente. É preciso que se diga que a França também não é dos destinos mais excitantes. Já conheço a França, quem me dera apagar a França. É preciso que se diga também que o meu entusiasmo com o plano de férias começa a esmorecer.
Entretanto, decido fazer as pazes com a França. Afinal de contas, é um país com bastante diversidade cultural e natural. Começo a pesquisar a França na net e digito "visit france" no google. Imagino que será bonito ficar em aldeias charmosas enfurnadas em sopés de serra. Comer estranhos queijos e ver pessoas parecidas com Hobbits. Penso que se calhar a França até nem é má de todo. Começo imediatamente a minha demanda por aldeias francesas pitorescas. Encontro umas duzentas. Reconheço que o site "visit france" é demasiado vago e não oferece informação para que possa escolher em consciência. Então, vou ao torrentz sacar o guia ebook do Lonely Planet. Mas não encontro nada do lonely planet que diga França. Saco então uma pasta com 2Gigas com todos os guias conhecidos sobre França e espero uma hora pelo download, enquanto navego em mais sites sobre França. Começo entretanto a aperceber-me que de tanto pesquisar sobre a França, começo a ficar farta da França. Esmoreço um bocadinho. Mas o download está pronto, e abro os ficheiros. Descubro, entretanto, que todos os ebooks dos melhores guias têm letra minuscula e NÃO TÊM DESENHOS. Estou murcha.
Decido saltar por cima da França (e por cima de todos os outros países) e afinco-me em questões mais práticas. Tempo e dinheiro. Após alguns cálculos simples, concluo que o mais acertado será fazer a viagem de carro para poder levar muitas latas de atum na bagageira. Neste ponto, para além de murcha, sinto-me também ligeiramente estúpida. Aos 30 sites abertos na barra do browser junta-se o site do guia michelin. Quero fazer contas ao combustível, mas como não sei ainda para onde vou, olho tristemente para a pasta com 2Gigas apenas sobre França. Sinto que a vida se esvai de mim aos pouquinhos.
Arrasto-me, então, até ao site da Abreu e clico em promoções para Cabo Verde. Sinto-me um ser menor. "Promoções para Cabo Verde". A minha alma avisa:
"Não te vendas! Afasta-te das piscinas e dos cocktails!"
"Mas eu não consigo passar pela França" - choramingo eu - "É muito dificil"
"Vais ser uma turista a engordar de chapeu branco, sentada num bar de piscina com uma pina colada!" - grita a alma. - "E o teu sonho de viajares pela Europa? Sem guias e sem destino, ao sabor da decisão do momento!"
Decido então dar ouvidos à alma e fazer um novo plano.

PLANO DE FÉRIAS
Lisboa ---->




terça-feira, 11 de junho de 2013

Até para a morte 'e preciso ter sorte

Tenho andado a ver nos últimos dias uma papinha documental sobre o universo, do StefanHawking. Já tinha antes lido um livro sobre o assunto, tambem do mesmo senhor, onde se abordam algumas das questões fundamentais da realidade. O documentário, como quase tudo o que nao nos obriga a ler, 'e talhado para quem nao quer pensar muito, de tao bem explicadinho que esta, cheio de correspondências entre conceitos astrofísicos e de física quântica e a nossa realidade visível e perceptível, para que possamos perceber a coisa com os nossos cérebros medianos. Eu estou a gostar. O meu cérebro mediano esta a gostar.
O Stefan Hawking tem um cérebro melhor que o meu e nao acredita  num designer ou grande arquitecto de tudo o que existe. Ele diz que o mais provável 'e que existam muitos outros universos, nos quais a vida nao 'e possível, e que a nos (a modos que) nos calhou a lotaria. Ora eu que tenho sempre tanto azar ao jogo, mal posso acreditar q no meio de quica infinitas possibilidades, vim aparecer mesmo no universo dito "especialissimo". Que, do gás cósmico e da gravidade surgiram calhaus feitos de elementos da tabela periódica, e que depois disso as estrelas se acenderam, algumas explodiram irradiando elementos fundamentais 'a formação de vida nesses calhaus, outras distaram desses mm calhaus just enough  para a existência de agua. E AINDA, os cabrões dos buracos negros no centro das galáxias servem com estabilizador das ditas cujas. Depois disso, depois de milhares de milhões de anos de acirrada evolução darwiniana, depois de apenas os melhores dos melhores terem sobrevivido. Até depois do raio da extinção dos dinossauros (fosse lá pelo que fosse, meteorito, supernova ou prisão de ventre) estamos ca nos. Já nem questiono tanto o facto de andar por ca vida, ou a espécie humana. Mas eu. EU, raios e coriscos. Estou neste momento a escrever e a pensar sobre "coisas". Neste momento cagalhoto infinitamente pequeno na "linha" temporal da história do universo.
Por isso decidi concluir o seguinte. EU sou tudo o que existo. E vocês todos nao são reais. São um produto da minha imaginação. Excu
sam de reclamar, as coisas são mm assim. Lembrem se q vcs nao são reais e por isso a vossa dor e indignação tb n o são. Mais ainda, um vez q eu sou tudo o q existe 'e bastante provável que eu seja deus e que tenha criado o Stefan Hawking e o facebook para me distrair.