quinta-feira, 11 de julho de 2013

Compendio do cliché sociológico (ou, pacote catalisador do murroextraordinário) (ou, ainda, os chamados agregadores do punho 'a face)

Nos dias que correm já nao 'e fácil ser giro e diferente e criativo. Deixo aqui o meu apreço 'a humanidade, que contem em si tantos indivíduos extraordinários e com tantas ideias repetidas. Ainda estou 'a espera, porem, de um novo movimento cultural de elite revolucionária que me contagie a mim e 'as massas. Ainda tou 'a espera que alguém substitua o Platão e seus compinchas e que se criem fóruns com usuários munidos de togas virtuais e ideias ainda melhores q as do Platao. Penduro-me nas raízes da indagação da Grécia antiga e nos ramos fininhos do iluminismo e olho, debruçada llá para baixo, a ver se vem de lá um novo movimento peristaltico da humanidade.
Eis senao quando, enquanto olho dependurada, sou atingida por um livro d' O Segredo que me deixa um olho negro. Ainda nao estando recomposta do impacto que O Segredo causou em mim, vem de lá, como tiros, uma saraivada de livros do Chagas Freitas, que tendo tanto de nocivo como de divertido, arranca de mim alguns anos de vida. Ainda, porém, viva e pontapeando, o terceiro milénio atira-me com o boss final sem qualquer misericórdia. Um orador das TED talks de PowerPoint e clicker um punho, voando pelo ar decidido em converter-me 'as maravilhas do meu powa interior e colando-se a mim como uma carraça voraz, enquanto uma horde de minions muito motivados gritam "Mata, mata!"
Bom, nao quero ferir susceptibilidades ou magoar alguém (menos o Chagas Freitas. O Chagas Freitas posso magoar. Chagas Freitas bloqueou-me no FB por isso nao me importo de lhe ferir os sentimentos outra vez). Gostar de ser motivado nao 'e uma coisa má. Procurar um escape em pessoas que julgam que descobriram a formula para a felicidade (quer pensando com muita forca, falar com anjos ou comendo uma mistura de pão com sementes e pó de talco) pronto, pode nao ser mau. 'E tipo, como rezar.. Mal nao faz. E ainda admito que, procurando bem, com afinco e discernimento, ha ideias validas. Eu própria já fiz rituais p deixar de fumar e pedi ao santo António que me mandasse um namorado giro. Acredito q os meus pedidos nao tenham verdadeiramente subido, como pozinhos translúcidos, ate ao céu e universo e depois voltassem em forma de homem bom. Mas eu fiquei mais contente e ser contente atrai homens bons. Por isso, nem tudo 'e mau, se visto sobre a luz do sentido critico, informação e discernimento. 
'E bom acreditar em alguma coisa, se isso nos fizer criar comportamentos produtivos. Lamentavelmente, ainda nao compreendi onde esta a diferença entre a formula d' O Segredo e a formula da Igreja Universal do Reino de Deus. Excepto, O Segredo ser consideravelmente mais barato. Pelo menos o Segrego resultou para alguém. Para quem o escreveu.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Coisas positivas

Bom, já fiz uma coisa e já voltei. Como se pode ver, depois da coisa feita, não encontrei mais nada interessante com que me ocupar. Pelo que me encontro aqui outra vez, para regojizo daqueles que nunca irão ler este meu diário cibernético.
Há dias, uma amiga minha convidou-me para aderir a um grupo no FB dedicado a agradecimentos diários. É um género de grupo todo positivo (a sério, não há um único electrão ali) criado por uma gaja toda positiva cheia de coisas positivas p dizer. Então, o objectivo é postar todos os dias um agradecimento por uma coisa qualquer que tenhamos ou que nos tenha acontecido. Por exemplo: "Estou grata pelo bolo que fiz, que está tão húmido e fofinho" e por aí fora.
Confesso que ainda não agradeci nada e ainda por cima não sinto remorsos. Sinto-me só com um pouco de medo que a minha amiga leia isto e que fique a saber que bloqueei as 500 mensagens de agradecimento que me apareciam todos os dias no feed.
A ideia é boa, a sério. É positiva.
E então, para me redimir, vou aqui postar uma lista de coisas que gosto. Não é bem um agradecimento, mas é parecido. E fico muito agradecida quando me acontecem, ou quando tenho acesso a elas.
Ora pois então. Eu gosto:
- de bacalhau com natas;
- de ir ao café de manhã com ideias de ter pensamentos profundos. Preparar-me, pegar na bica, acender um cigarro, inspirar-me, não pensar em nada e ir-me embora;
- escovar uma das minhas cadelas (a que tem mais pelo), sairem milhoes de pelos, e sentir o prazer mórbido que se sente ao expremer pontos negros ou arrancar pele ao outros. Fazer uma bola gigante com o pelo e depois, orgulhosamente, ir mostrar o feito ao outro ocupante da casa. Da última vez pareceu impressionado.
- de festas de anos;
- de festas nas costas;
- de rir deitada de barriga para cima, até tossir como um velho com catarro intoxicado com endorfinas fofinhas;
- de cantar às escondidas;
- de reler as coisas que escrevo e ficar com pena por não ter escrito mais;
- de filmes de terror e histórias de fantasmas;
- de chorar quando não há motivo para chorar;
- de cubas libres e, ultimamente, de mojitos;
- de tirar fotografias;
- de me rir das fotografias;
- do som dos passarinhos (mais na Primavera. Em meados do Verão já não ligo nenhuma aos passarinhos);
- de jogar computador a dois;
- de jogar computador a dois mas quando o jogo mete muito medo, ficar só a ver e a dar palpites;
- de oferecer prendas (apesar de já tar a dever umas quantas);
- de dançar;
- de ficar um bocadinho com os copos e adorar o mundo e todos os seus habitantes;
- de ter medo quando não há motivo para ter medo;
- de mares com ondinhas;
- de aeroportos e estações de comboios (mas mais de aeroportos);
- de pistaccios verdes;
- de ganhar;
- de puzzles;
- de elogios;
- de cães;
- de pessoas, quando são humanas e bem intencionadas;
- de pessoas, quando têm sonhos;
- de pessoas, quando falham sem querer.
 

Metásteses de divagações metafísicas e queixumes exagerados

Raios. Sempre pensei que noites passadas em quartos de hotel a jogar computador ou a ler me deixavam bastante animada. Mas verdade seja dita desta feita a coisa está a modos que um bocado deprimente.
Acho que é do quarto. Será? Ou se calhar sou eu. Volta e meio fico um bocado deprimida. E deprimente.
Se calhar devia ir ao ginásio mais do que uma vez por mês. Ouvi dizer q faz bem ao cérebro. Mais que nao seja porque durante os 15 minutos de bicicleta o meu cérebro não tem oxigénio p pensar. POrra! ´Tou mesmo farta do meu cérebro. Até durante os 15 minutos de paralesia cerebral o cabrão faz contas.
Devia aprender a meditar. Ouvi dizer que faz bem ao cérebro.
Nas vezes que experimentei, nunca cheguei a perceber se o estava a fazer bem. Não se consegue parar o pensamento, raios o partam! Talvez o Buda consiga. Eu não.
"Pensar em nada, pensar em nada"
"Tou a pensar que não tou a pensar em nada"
" Irra, tou a pensar que tou a pensar que não tou a pensar em nada".
"Tenho fome/ apetecia-me um cigarro / olha, que engraçado, não sinto o braço esquerdo"
" Irra!!! Tou a pensar outra vez!!"
Ao menos na bicicleta só penso que tou a sofrer.
Enfim. Falar de quê? Falar mal de mim? Ouvi dizer que faz mal falar mal de nós próprios. Á auto estima e isso. Mas também pode ser um bom passatempo. E não é BEM falar mal. É constatar coisas.
Eu até gosto da minha vida, engana-se quem acha o contrário. Mas também gosto de me queixar dela. Deve ser a minha costela de coitadinha. O meu Fado.
Ás vezes gostava que o meu cérebro fosse mais ordenado. Tenho impressão que a rede neuronal cá dentro às vezes tenta tocar muitos instrumentos ao mesmo tempo. E depois saltam muitas notas em falso. As ideias vêm-se e vão-se como fogos fátuos que deixam apenas uma insinuação do que foram. Ou do que poderiam ser. Ás vezes não as consigo agarrar. Outras vezes, escrevo-as, e dou-lhes corpo. E depois perdem a graça toda. É mesmo estranho...  Parece que as coisas só vivem em todo o seu esplendor se estiverem distantes e imaterializadas. A partir do momento em que põem um pezinho na realidade (seja por palavras ou por acções) PUF! transformam-se em sapos.
Enfim. Às vezes acho que sou um bocado ingénua. Ou então, sou paranoíde. Merda p isto, ou ingénua ou paranoíde. Não há meio de arranjar um meio termo. Acho que por medo de ser ingénua me torno paranoide; e por medo de ser paranoide me torno ingénua. Tal não é a minha sina! Estúpido cérebro de extremos. 

 Bom, ja me sinto melhor, obrigada. Vou ali fazer qualquer coisa.